Você conhece o conceito de “Candidate Experience”, ou Experiência do Candidato? No geral, podemos entender que esse termo tão importante não só para o RH como para toda a organização se refere à percepção dos candidatos sobre o processo seletivo como um todo: desde a etapa de anúncio da vaga, abordagem “ativa” realizada pelos recrutadores, candidatura/indicação, triagem, seleção, entrevistas, feedbacks etc. Ou seja, tudo que os candidatos sentem, pensam e a maneira como interagem e percebem a organização ao longo de todo o processo seletivo vai influenciar na sua “Experiência do Candidato” tornando a mesma positiva, ou negativa.
Esse termo está atrelado a outra expressão que provavelmente você já deve ter ouvido falar: “Employer Branding”,ou Marca Empregadora. Esta por sua vez se refere a técnicas utilizadas de maneira estratégica pelas empresas para garantir uma percepção positiva da organização no mercado como um todo e também entre os próprios colaboradores. Podemos entender então que investir em uma boa Experiência do Candidato é uma ação inteligente por parte das empresas onde todos saem ganhando, inclusive a própria organização que estará investindo em sua Marca Empregadora.
Tenho certeza que você assim como eu já passou por pelo menos uma experiência de Processo Seletivo extremamente desgastante e traumática. Esses processos são aqueles em que por exemplo: o recrutador aborda o candidato com texto “padrão” via linkedin, muitas vezes nem tendo o cuidado de alterar o nome do destinatário; o anúncio da vaga é extremamente complexo e mal estruturado (sem informações claras e necessárias); a maneira de realizar a candidatura é complicada, está longe de ser ágil e quando se chega na metade do preenchimento dos dados, o candidato já está desanimado; as entrevistas não são realizadas de “maneira humanizada” e muitas vezes nos dá a impressão de que o recrutador nem sequer realizou a leitura do nosso currículo anteriormente; os feedbacks raramente são realizados e se sim, demoram muito. No caso do feedback ser “negativo” tende a ser realizado através de um “texto” padrão, o que torna o processo bem impessoal e até desrespeitoso. Vale ressaltar que neste tipo de processo seletivo ainda é comum que o candidato tenha bastante dificuldade para manter comunicação com a empresa e com o RH para tirar dúvidas, não é incomum ter que aguardar próximo de 1 mês ou até mais para receber uma atualização sobre o andamento do processo. Esses são apenas alguns exemplos de situações que tornam a Experiência do Candidato extremamente negativa perante uma empresa.
Quando essas situações acontecem é importante que tenhamos em mente dois pontos: é desagrádavel para o candidato que já tende geralmente a estar em uma situação “tensa” buscando uma nova oportunidade de trabalho, não porque quer no geral, mas porque está desempregado, infeliz em seu emprego atual, buscando uma recolocação profissional etc. Então o primeiro ponto aqui é que se trata de algo extremamente desconfortável e desrespeitoso tornar esse processo ainda mais complexo para essa pessoa. O segundo ponto é que esse candidato tem amigos, família, colegas e com certeza vai compartilhar suas percepções e experiências que teve com a organização. De acordo com dados da Gupy (2022) “33% dos candidatos que têm uma experiência negativa no processo seletivo tendem a divulgá-la nas redes sociais.”
Bom se nesse ponto do artigo você ainda tem dúvidas sobre a importância de se investir na Experiência do Candidato, vou te apresentar mais alguns motivos para se fazer isso: quando um candidato não tem uma experiência positiva com a empresa existe grande chance de se perder bons profissionais no futuro, pois as pessoas conversam entre si e compartilham suas percepções como já mencionado. Já imaginou se a empresa que você representa for associada a características como: não investe nas pessoas, não tem uma gestão humanizada, não denota organização ao longo dos processos seletivos, não tem respeito, comunicação e empatia pelos candidatos? Isso seria desastroso. Nunca esqueça, os melhores profissionais querem fazer parte dos melhores times! Outro motivo muito importante que justifica investirmos na Experiência do Candidato é o seguinte: imaginemos o seguinte cenário: o profissional realizou a sua candidatura na vaga, participou da entrevista cultural, técnica mas infelizmente não seguiu para uma contratação naquele momento. Se esse processo foi conduzido de maneira adequada e o feedback dele for realizado de forma clara e empática, esse candidato poderá saber os caminhos para melhoria, investir em si mesmo de forma assertiva e mesmo não tendo “obtido êxito no processo seletivo” terá uma experiência fantástica, podendo evoluir em muitos aspectos. Temos a oportunidade de vivenciar isso aqui na ZBRA, já que sempre tomamos o cuidado de realizar um feedback claro com cada candidato ao término da sua participação nos processos seletivos, mesmo que eles não sigam para a contratação no primeiro momento. A idéia desse bate papo é tirar todas as dúvidas do profissional, permitir de fato que ele cresça em sua carreira como um todo e se sinta considerado – não é incomum ouvirmos que a experiência foi diferenciada, de fato sentimos que os candidatos se sentem agradecidos e respeitados.
Mas como podemos na prática melhorar a “Experiência do Candidato” nas organizações? Vamos a algumas dicas: Invista em tecnologia e organização para facilitar as candidaturas; ter um site intuitivo, ágil e prático para que os profissionais se candidatem às vagas faz total diferença. Hoje em dia inclusive existem inúmeras plataformas que podem auxiliar nesse processo, caso a organização que você atue não tenha um site próprio. Descomplicar a etapa de candidatura é fundamental, com certeza a tecnologia pode favorecer muito aqui, pense nisso! Anuncie às vagas de forma clara; Aqui mais uma vez os dois lados ganham, o profissional pois terá acesso às informações que realmente importam para a sua candidatura e a empresa, visto que, quanto mais assertivo for o anúncio mais perfis realmente aderentes a posição chegarão para triagem, evitando retrabalho. Mantenha o candidato aquecido no processo, faça com que ele se sinta único mantendo uma comunicação “personalizada” e sendo solícito sempre; Se coloque à disposição do profissional ao longo do processo para tirar suas dúvidas, repasse para ele inclusive se possível um contato que possa acionar como ponto focal caso surjam dúvidas. Sempre lhe mantenha informado sobre as atualizações de forma rápida garantido assim que não se sinta “apenas mais um”. Não esqueça de ter o cuidado de se comunicar com ele de forma pessoal, evitando por exemplo o uso de “mensagem padrão”. Cumpra o que combinou com os candidatos; Agendou a etapa da entrevista cultural? Técnica? Feedbacks? Seja sempre fiel aos horários e combinados, pois do contrário irá denotar que a empresa é desorganizada. Imprevistos sempre podem acontecer, mas nesse caso não esqueça de informar logo que possível e inclusive pedir desculpas em nome da organização. Apresentar depoimentos de quem já atua na empresa – utilizando por exemplo o glassdoor; Esse ponto é importante e vai tornar a experiência do candidato ainda mais positiva, pois permitirá que ele conheça o olhar de quem já atua na organização. Realizar feedbacks; De nada adianta investir em tudo que já vimos e esquecer de dar um retorno para o candidato sobre sua participação no processo seletivo, de forma construtiva, ágil e humanizada. A agilidade aqui é importante pois sempre devemos pensar que muitas decisões na vida do profissional dependem dessa notícia: uma mudança de cidade, outras propostas profissionais etc. Esses são apenas alguns exemplos de ações estratégicas que podem ser utilizadas para melhorar a Experiência do Candidato dentro das organizações.
Ao término desse artigo vale a seguinte reflexão: a empresa onde você atua investe na Experiência do Candidato? Se sim, ótimo, manter esse trabalho constantemente é o caminho. Mas se a resposta for não procure fomentar para ontem essa discussão, não apenas com o RH, mas com todos os demais colaboradores, já que como vimos, esse é um tema que permeia e afeta toda a organização e como ela é vista no mercado.


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