As 10 Heurísticas de Nielsen

À medida que a tecnologia se torna mais presente no dia a dia das pessoas, a criação de novos produtos digitais aumenta rapidamente. As empresas de software estão competindo para desenvolver suas melhores soluções para os usuários, estes, por sua vez, estão cada vez mais seletivos sobre os produtos que escolhem usar. Em um cenário ideal, design e desenvolvimento trabalham lado a lado durante o processo de criação do software. No entanto, na prática, muitas equipes decidem reduzir esforços e custos, o que os leva a dedicar pouca ou nenhuma atenção à interface visual.

Felizmente, Jakob Nielsen, um conhecido especialista na área de engenharia de usabilidade, desenvolveu 10 heurísticas que, quando aplicadas ao design da interface do usuário, podem beneficiar consideravelmente a usabilidade. Essas heurísticas focam em pontos como: clareza sobre as ações que podem ser realizadas e seus resultados; maximizar o controle e a independência do usuário e prevenir erros; além de garantir que o usuário possa realizar todas as tarefas de maneira simples e eficiente.

O que são as 10 heurísticas?

Em 1990, Jakob Nielsen e Rolf Molich desenvolveram 10 princípios gerais para o design de interação. Esses princípios são chamados de “heurísticas” porque são regras gerais e não diretrizes específicas de usabilidade. Nós, como desenvolvedores e designers, podemos contar com essas 10 heurísticas para garantir que estamos construindo uma solução que traga uma boa experiência geral e minimizando erros comuns ao criar uma interface de usuário.

Neste artigo, apresentarei cada um dos 10 itens e fornecerei exemplos de interfaces onde esses princípios foram aplicados com sucesso.

#1: Visibilidade do status do sistema

Essa heurística afirma que a interface deve comunicar claramente ao usuário qual é o status atual do sistema, quais ações podem ser executadas e qual feedback será fornecido para essas ações.

Um bom exemplo disso é a interface do YouTube para playlists. Fica claro para o usuário qual vídeo está sendo reproduzido no momento, o que foi reproduzido anteriormente e o que será reproduzido a seguir.

Fonte: Youtube

Outro exemplo em que podemos ver essa heurística em ação é no Windows Explorer. A barra de caminho fornece ao usuário informações sobre sua posição atual no sistema.

Fonte: uis.georgetown.edu

#2: Correspondência entre o sistema e o mundo real

Essa heurística enfatiza a importância de projetar uma interface que fale a linguagem do usuário, use termos e conceitos familiares e siga as convenções do mundo real, fazendo com que as informações apareçam em uma ordem natural e lógica.

Na minha opinião pessoal, isso pode ser um desafio, pois exige que a equipe de desenvolvimento esteja familiarizada com a perspectiva dos usuários e entenda quais convenções, termos e comportamentos são naturais para eles.

Um bom exemplo dessa heurística em ação é um aplicativo de bússola. Os elementos da interface do usuário no aplicativo são semelhantes a uma bússola no mundo real e facilitam a compreensão do uso e da função do aplicativo pelos usuários.

Fonte: https://www.nngroup.com/

#3: Controle e liberdade do usuário

Também conhecida como regra da “saída de emergência”, essa heurística enfatiza a importância de fornecer ações de ‘desfazer’ e ‘cancelar’ para que o usuário possa se recuperar de um passo tomado por engano.

Quando é fácil para as pessoas desistir de um processo ou desfazer uma ação, isso promove uma sensação de liberdade e confiança. As saídas permitem que os usuários permaneçam no controle do sistema e evitem ficar presos e frustrados. – NIELSEN, Jakob. 2020

Algumas dicas que você pode seguir para aplicar essa heurística em sua interface incluem oferecer suporte a Desfazer e Refazer (Undo e Redo), mostrando uma maneira clara de sair da interação atual e certificando-se de que a saída esteja claramente identificada e detectável.

#4: Consistência e padronização

Essa heurística enfatiza a importância de manter a consistência entre todas as interações e navegação de telas, permitindo que os usuários interajam sem ter que pensar muito ou questionar as informações que estão vendo. Falhar em manter a consistência pode resultar em uma carga cognitiva, que pode ser exaustiva para o usuário e levar a uma experiência ruim.

Bons exemplos dessa heurística em ação são softwares construídos sob bons design systems, como o Google Material.

Fonte: Figma’s Material Design 3 Kit

#5: Prevenção de erros

Para evitar que os usuários encontrem erros, é importante priorizar a tarefa principal e eliminar quaisquer possíveis condições propensas a erros. Ao fazer isso, você pode reduzir a necessidade de boas mensagens de erro em primeiro lugar.

Segundo Nielsen, existem dois tipos de erros: deslizes e enganos. Deslizes são erros inconscientes causados por desatenção, enquanto enganos são erros conscientes resultantes de uma incompatibilidade entre o modelo mental do usuário e o design.

Uma maneira eficaz de evitar erros é usar caixas de confirmação, que podem ajudar os usuários a evitar ações ou exclusões não intencionais.

Fonte: https://www.jqueryscript.net/other/Delete-Confirmation-Dialog-Plugin-with-jQuery-Bootstrap.html

#6: Reconhecer ao invés de lembrar

Os usuários são mais propensos a reconhecer padrões do que lembrar informações. Para tornar sua interface mais amigável, forneça dicas que ajudem os usuários a reconhecer ações e informações familiares. Isso pode parecer difícil de entender, então deixe-me exemplificar como funciona:

A grande diferença entre Reconhecimento e Recordação, é a quantidade de pistas dadas pelo contexto, que ajuda os usuários a lembrarem das informações necessárias. Em outras palavras, é mais fácil para a maioria das pessoas reconhecer as capitais dos países, em vez de ter que se lembrar delas. É mais provável que as pessoas respondam corretamente à pergunta: Lisboa é a capital de Portugal? em vez de Qual é a capital de Portugal?.

Da mesma forma, o ícone usado para a ação “salvar” na maioria dos softwares de processamento de texto tornou-se um símbolo reconhecido.

Fonte: Microsoft Word

#7: Flexibilidade e eficiência de uso

Para tornar sua interface acessível tanto a usuários inexperientes quanto avançados, forneça um nível de flexibilidade que permita aos usuários personalizar sua experiência. Isso pode incluir opções de customização e atalhos para usuários experientes.

Um exemplo de uma interface flexível é o recurso “pick & paste” em dispositivos iPhone modernos, que permite aos usuários copiar e colar conteúdo de forma rápida e fácil usando o toque de 3 dedos na tela.

Fonte: https://www.iphonelife.com/

#8: Design estético e minimalista

O design estético e minimalista nada mais é do que manter sua interface focada no essencial, sem sobrecarregar os usuários com muita informação. Use elementos visuais que apoiem os objetivos principais do usuário e forneça informações primárias e secundárias com clareza.

O Google é um ótimo exemplo de uma interface que usa um design minimalista com grande efeito.

Fonte: Google

#9: Ajude os usuários a reconhecer, diagnosticar e recuperar-se de erros

Quando ocorrem erros, é importante apresentar as mensagens de erro de forma clara e simples. Use texto em negrito e vermelho para destacar a mensagem de erro e evite termos técnicos que possam ser difíceis de entender para os usuários.

Ofereça uma solução acionável para o problema, como destacar um campo ausente ou incorreto em um formulário, para ajudar os usuários a diagnosticar e recuperar-se de erros.

Fonte: https://blog.hubspot.com/

#10: Ajuda e documentação

Mesmo as interfaces mais intuitivas podem se beneficiar dos recursos de ajuda e documentação. Forneça acesso fácil a tutoriais ou guias concisos que listam etapas concretas a serem seguidas pelos usuários.

A página de aprendizado e suporte da Adobe é um ótimo exemplo de um recurso de documentação acessível e útil.

Fonte: https://helpx.adobe.com/

Em conclusão, embora a aplicação das 10 heurísticas possa ajudar a garantir uma boa experiência do usuário, elas não devem ser vistas como um substituto para o importante processo de pesquisa e design que envolve a criação de uma interface bem-sucedida. Em última análise, o sucesso de uma interface deve ser medido não apenas pelo feedback positivo, mas também por sua capacidade de atender perfeitamente às necessidades do usuário. Lembre-se, mesmo que a facilidade de uso possa ser invisível, sua ausência certamente será sentida pelos usuários. Portanto, sempre se esforce para obter a melhor experiência possível do usuário e nunca pare de refinar e melhorar seus designs.


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Paulo Sergio Mendonça Avatar

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